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Jornada de Estudos Norte e Nordeste Homenageia Patrono da Veterinária Militar Brasileira

Publicado: Terça, 19 de Junho de 2018, 14h49 | Acessos: 1424

Salvador (BA) – No dia 15 de junho, foi realizada, na sede do 6º Batalhão de Polícia do Exército (6º BPE), em Salvador (BA), a I Jornada Norte e Nordeste de Medicina Veterinária Militar. Foi uma manhã festiva, cuja abertura foi marcada por uma solenidade em homenagem ao Patrono da Veterinária Militar Brasileira, Tenente-Coronel Médico João Muniz Barreto de Aragão, instituído pelo Decreto nº 51.492, de 13 de março de 1962.

A Jornada foi composta de cinco palestras proferidas por veterinários militares da Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), do 72º Batalhão de Infantaria Motorizado (72º BI Mtz), do Esquadrão de Polícia Montada da Bahia e do próprio 6º BPE.

O evento, coordenado pela EsFCEx, com o apoio do 6º BPE e do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA), reuniu cerca de 50 profissionais e acadêmicos, de universidades como UFBA, UFRB, UNIFACS, UNIME, FTC e UEFS.

  

O Dia do Veterinário Militar

No dia 17 de junho, os médicos veterinários que atuam no segmento militares, inspirados nos exemplos e ideais de Muniz de Aragão, renovam seu compromisso de continuar labutando e aplicando seus conhecimentos em prol da manutenção da saúde dos recursos humanos e dos animais de emprego militar e policial. Contribuem, ainda, para a Defesa, a Segurança e o desenvolvimento nacional sob os auspícios do novo paradigma da “Saúde Única”, no qual se busca preservar a sustentabilidade dos padrões sanitários no meio ambiente.

A data é comemorada pelo Exército Brasileiro em 17 de junho, data correspondente ao nascimento do Patrono da Veterinária Militar Brasileira, o Tenente-Coronel Médico João Muniz Barreto de Aragão, nascido em 1874, em Santo Amaro, Província da Bahia.

Como precursor do estudo da medicina veterinária no Brasil, Muniz de Aragão formou-se em medicina na Faculdade de Medicina da Bahia e, ainda durante sua graduação, voluntariou-se para compor a equipe médica nas operações militares em Canudos, no ano de 1897, destacando-se pelo dedicado trabalho e acentuado espírito de solidariedade.

No ano de 1901, passou a integrar o Corpo de Saúde do Exército, sendo lembrado pelo seu legado na pesquisa biomédica e empenho no combate às doenças que assolam os animais, como a febre aftosa, assim como as zoonoses, tais quais o mormo e a tuberculose.

Muniz de Aragão participou de várias comissões, dentre elas a que organizou o Serviço de Defesa Sanitária Animal e de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura e aquela que instituiu a Profilaxia dos Quartéis. Foi fundador da Sociedade Médico-Cirúrgica Militar e nomeado Inspetor do Serviço de Veterinária do Exército.

Sua história exemplar terminou de forma precoce, aos 48 anos de idade, quando veio a falecer de síncope cardíaca no dia 16 de janeiro de 1922. Seus feitos e ideais permanecem gravados na história da medicina veterinária e do Exército Brasileiro.

 

 A Veterinária Militar Brasileira

A centenária Medicina Veterinária no Brasil surgiu como uma iniciativa de inovação do Ministério da Guerra, diante da necessidade de enfrentar crises sanitárias que atingiam os soldados, os rebanhos produtores de alimento e principalmente os cavalos, grande força de transporte militar do início do Século XX. Hoje, a Medicina Veterinária está na base da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro, pilar fundamental da economia nacional.

Nas Forças Armadas e Policias Militares, os veterinários cuidam da tarefa mais conhecida desta especialidade – a manutenção da sanidade dos plantéis de equinos e cães militares. No Exército Brasileiro, os cerca de 200 profissionais da área tem missões ainda mais estratégicas, além de zelar pela saúde dos 2.000 equinos e 200 cães de guerra, em média, são os responsáveis pelo controle de zoonoses, pragas e vetores nos quartéis e pela inspeção sanitária de toda a alimentação consumida pelos mais de 200 mil militares, empregando para isso 18 laboratórios, realizando auditorias nas mais de 400 cozinhas e acompanhando a tropa em operações, no Brasil e no exterior, como ocorreu na missão de paz da ONU no Haiti, desde 2009 até 2017.

 

 O Serviço de Veterinária do Exército

O Serviço de Veterinária do Exército foi criado em 1908, e a Escola de Veterinária do Exército foi fundada em 17 de julho de 1914, graças ao apoio da Missão Militar Francesa requisitada pelo Governo brasileiro ao Instituto Pauster, na França. O então Capitão Médico Muniz de Aragão foi o primeiro diretor da Escola, instalada no quartel do 3º Grupo de Obuses, no bairro de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, formando a primeira turma em 1917.

Em 13 de março de 1975, fruto de transformações doutrinárias e da mecanização da Cavalaria e consequente redução drástica dos efetivos hipomóveis, a Escola de Veterinária do Exército foi extinta. Porém, a partir de 17 de junho de 1991, a especialidade veterinária voltou a integrar os quadros do Exército Brasileiro por intermédio do Quadro Complementar de Oficiais (QCO).

Em 1992, formou-se na Escola de Administração do Exército, atual Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), a primeira turma de veterinários militares dessa nova geração, dos quais seis oficiais chegaram ao último posto da carreira, Coronel, em 2017, momento marcante da evolução recente da veterinária no Exército Brasileiro.

 

 A atuação do Veterinário no Exército Brasileiro

A veterinária promove assessoria técnica essencial em várias áreas do emprego da Força Terrestre. Seus integrantes militares realizam o aprimoramento zootécnico dos animais de interesse militar; prestam assistência aos animais, atuando na clínica médica e cirúrgica de equinos e cães de guerra; promovem a inspeção de alimentos e forragens; atuam na eliminação de agentes infecciosos e na pesquisa e produção de soros e vacinas; atuam nas práticas de biossegurança, promovem o controle de qualidade da água, o controle de pragas, vetores e zoonoses; o cuidado com o meio ambiente e preservação de espécies silvestres. Todas essas funções colaboram para a preservação do potencial humano na Força.

 

 

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